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Ohhmaeee...

Eu, nós, eles, e o mundo à nossa volta.

Ohhmaeee...

Eu, nós, eles, e o mundo à nossa volta.

20
Out21

(...)

Mãede2

Presenciei há dias algo que me deixou para além de angustiada, bastante chocada com a maneira como o ser humano consegue agir em momentos que se para uns, que de longe o tempo pára à espera, o coração apertado, são de dor e sofrimento, para outros consegue ser levado para um nível de desrespeito impressionante! Talvez seja apenas eu que me choque com demasiada facilidade, mas a minha incredulidade perante tamanha grosseirice e insensibilidade deixa-me (ainda) tremendamente estupidificada !! 

Sem me alongar demasiado sobre o tema, deixo-vos um texto que me surgiu quase no momento. Perdoem-me a franqueza ...

Ouvem-se gritos aflitos, alguém a pedir ajuda, a Vida pára ...

Parou a vida, não para se prestar auxílio ao corpo caído, mas para assistir, como se de uma rodagem de filme se tratasse, pois também houve quem filmasse. Param todos para ver, comentar, não  mais do que atrapalhar!

E depois do "espetáculo" terminar, lá se vai dispersando  o cortejo, pois já não há nada para "ser visto", acabou-se o interesse.

Alguns mais curiosos permanecem ainda especados, outros passam rente ao corpo estendido no chão, no saco já arrumado, indiferentes, como se de simples lixo se tratasse ...

 Os pequenos no colo assistem. Penso: O que perguntariam os meus filhos? .. e o que lhes responderia eu?! ... 

 

 

13
Out21

Ler para escrever...

Mãede2

Neste período de introspecção tenho-me dedicado mais a ler e devorar livros. Gosto de me embrenhar nas histórias contadas que fazem com que sinta que estou a vivê-las eu mesma. 

Quando vou ver a minha mãe trago sempre livros novos e diferentes. Desta vez trouxe 3 que me chamaram especialmente a atenção, talvez devido ao estado de desânimo em que ando, pois falam sobre o local onde nasci e sobre a história deste país que os meus pais tanto amaram e de que ainda sei tão pouco e que quero muito conhecer.

O primeiro, "Loanda: escravas, donas e senhoras" de Isabel Valadão  , deixou-me entusiasmada por poder saber mais de como se viveu aqui antes da independência e em como se foi transformando a vida de angolanos e portugueses.

O segundo,  "Teoria Geral do Esquecimento", de José Eduardo Agualus , que comecei agora a ler, ainda mais curiosa me deixou pois recorda-me a altura em que meu pai lá esteve sozinho no período das anteriores de 1992 e que contava ter ficado por várias vezes preso na casa de banho, o sítio mais "protegido" da nossa casa, enquanto lá fora ouvia-se a revolução e os tiros a trespassarem as paredes.

Por fim, "A rainha Ginga: e de como os africanos inventaram o mundo" , do mesmo autor, que já quero ler há bastante tempo e que estive tentada a comprar mas que sabia iria chegar a altura! 

Histórias que me fazem ainda mais querer conhecer as minhas raízes e escrever sobre a vida que me criou ...