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Ohhmaeee...

Eu, nós, eles, e o mundo à nossa volta.

Ohhmaeee...

Eu, nós, eles, e o mundo à nossa volta.

04
Mai22

Em crise...

Mãede2

Quando estou em períodos de crise é complicado enumerar a quantidade e a diferença das várias sensações desagradáveis sentidas frequentemente. Penso que ainda que juntasse todos os textos que escrevi sobre o assunto, não chegariam para perfazer uma lista completa. Posso até estar constantemente a repetir-me. No entanto, à medida que o tempo passa os sintomas vão mudando e aumentando...

Uma simples brisa é capaz de despoletar um arrepio de dor. Dói toda e qualquer articulação, todos os músculos, todos os membros. Dói dobrar os dedos, dói dobrar o braço, dói pousar os cotovelos, dói segurar algo na mão, dói uma simples pancadinha, dói mexer as pálpebras... Sim, também acontece. O abrir e fechar de olhos é muitas vezes acompanhado de uma pontada dentro do olho. Respirar é acompanhado de pancadas nas costas. Dói, dói, dói...

Dói em todas as partes do corpo e é impensável sequer encostar qualquer parte do corpo a seja o que for. Por vezes um anel, uma pulseira, um relógio tornam-se insuportáveis. Ou porque fazem uma ligeira pressão, ou porque o material é demasiado frio, o que pode parecer algo disparatado, mas que chega a causar dor.

Se pudesse enrrolava o corpo numa bola de algodão para poder repelir toda e qualquer sensação!

Quer-se chorar, quer-se gritar, mas não se pode porque se está rodeado de outras pessoas, pessoas que não entendem o que não conseguem ver... 

Por vezes mais do que a dor em si, existem outros sintomas que me deixam completamente frustrada e com vontade de me enfiar num buraco debaixo da terra.

Como posso descrever a sensação horrível de ter o corpo a queimar, ou dormente, ou a ser pisado e picado em toda a parte? Não se consegue caracterizar corretamente, as palavras nunca parecem ser as mais indicadas! O sistema nervoso parece reagir constantemente a estímulos para ele entendidos como dolorosos.

E há ainda o "Fibro Fog", sabem o que é? Pois é nada mais nada menos do que a neblina e névoa em que sinto muitas vezes o cérebro. Falta de memória, desorientação, desconcentração e confusão mental em que muitas e demasiadas vezes me encontro. De repente não consigo fazer-me entender, é como se o cérebro ficasse oco. Custa pensar e às vezes parece que não sei falar, as palavras baralham-se. A minha capacidade cognitiva, a capacidade de discernimento, de me fazer entender, expressar, falar e pensar, de repente parece recuar aos primeiros anos de vida.

Tudo isto cria uma ansiedade que me vai comendo por dentro, uma ansiedade que não deixa respirar, que faz doer, que empurra o peito com a força de um tanque. 

É difícil explicar o desconforto permanente. O desconforto que sinto dentro do meu próprio corpo. Pagaria o que fosse preciso pela possibilidade de trocar por outro.